terça-feira, 28 de abril de 2026

Uma Pequena Vida de Hanya Yanagihara

 Uma Pequena Vida de Hanya Yanagihara


Sinopse

Este é um dos mais espantosos, desafiadores, perturbadores e profundamente comoventes romances publicados nas últimas décadas: um épico sobre o amor e a amizade no século XXI, que visita alguns dos lugares mais assustadores onde a ficção já se aventurou; um livro que, desafiando explicações e todas as probabilidades, emerge do lado da luz. Quatro colegas de uma pequena universidade do Massachusetts mudam-se para Nova Iorque para começar a vida adulta. Sem dinheiro e em busca de um caminho, contam apenas com as suas ambições e com a amizade que os une. Bonito e generoso, Willem tenta vingar como ator; nascido em Brooklyn, inteligente e mordaz, por vezes cruel, JB quer afirmar-se como pintor na cena artística de Manhattan; Malcolm é um arquiteto frustrado com o seu trabalho num ateliê de renome; e Jude, brilhante, enigmático e fechado, é o centro de gravidade do grupo. Ao acompanhar os quatro amigos durante décadas, vemos como as suas relações se aprofundam e ensombram, marcadas pela dependência, pelo êxito e pelo orgulho. Porém, o seu grande desafio, compreenderão eles, é Jude, que se torna um advogado temido pelos seus pares, mas que é um homem cada vez mais destroçado, física e psicologicamente marcado por uma infância inimaginável e perseguido por um passado traumático que teme jamais conseguir ultrapassar. Numa escrita resplandecente, magnífica e assombrosa, Hanya Yanagihara compõe um hino trágico e transcendente ao amor fraternal, revela o sofrimento e o desgosto de forma ímpar, e retrata a tirania da memória e dos limites da capacidade humana para resistir. (Wook)


A estrutura do livro 

7 partes, cada uma com 3 secções e cada subsecção com 18.000 palavras (em inglês) 


Comentários

There are books you enjoy, books you admire, and then there are books that leave you curled up on the floor wondering whether literature should even be legal. A Little Life belongs firmly in that third category.

There’s a brilliance in how merciless it is, forcing us to stare at suffering when our instinct is to look away. Compassion, Yanagihara suggests, is not a feeling but a refusal to avert our eyes.

 (https://medium.com/@dila_elmas/a-little-life-by-hanya-yanagihara-the-most-beautifully-devastating-book-i-wish-id-never-read-2431e63d1884)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

James, de Percival Everett

 James, de Percival Everett


Uma rescrita do clássico de Mark Twain, Huckleberry Finn, da perspetiva de Jim. Um livro sobre identidade, linguagem e poder.

A diferença entre o que James diz em voz alta e o que ele pensa cria uma tensão que é o motor do livro de Everett e uma profunda reescrita do livro de Mark Twain.

Linguagem: Ensinar as crianças a "falar mal" para sobreviverem é uma forma de proteção ou uma forma de auto-mutilação intelectual? Quem é que está a enganar quem neste caso?

Identidade: Alguma vez o James é ele próprio, ou ele é apenas uma coleção de máscaras que ele troca conforme a cor da pele da pessoa à frente dele? A certa altura, a máscara não acaba por se colar à pele?

Poder: James faz um esforço absurdo para conseguir um lápis. O que é mais perigoso: um homem negro que sabe gramática ou um homem negro com uma arma, naquele contexto?

Provocação: Se este livro fosse escrito por um autor branco, estaríamos a elogiar a 'audácia' ou a cair-lhe em cima por apropriação cultural? O facto de ser Percival Everett a escrever muda a nossa permissão para rir das partes mais satíricas?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Pachinko de Min Jin Lee

 

Pachinko, de Min Jin Lee



FINALISTA DO NATIONAL BOOK AWARD NA CATEGORIA DE FICÇÃO
«Uma poderosa meditação sobre o que os imigrantes sacrificam para ter um lugar no mundo, Pachinko confirma a posição de Lee entre os melhores romancistas do mundo.» [Junot Díaz, vencedor do Prémio Pulitzer]

Em 2022, a autora recebeu o Manhae Grand Prize de Literatura da Coreia do Sul. Vive atualmente no Harlem, em Nova Iorque.

Para amantes de histórias multigeracionais e ficção histórica.

Algumas questões para guiar a nossa leitura

  1. Lee abre o livro com a frase: “A História falhou connosco, mas não importa.” Acredita que a narradora pensa genuinamente que “não importa”? Porque acha que a autora escolheu esta frase específica para abrir o romance?

  2. O que pensa do título? O jogo Pachinko só ganha relevância bem mais tarde na história. 

  3. No início do romance, Sunja é levada a sentir vergonha pela sua gravidez. De que forma a ideia de vergonha persiste ao longo de todo o livro, tanto a nível moral como na construção da identidade?

  4. Compare as personagens de Hansu e Isak

  5. Outro tema central é a coragem. Que tipos de bravura identifica em cada personagem? De que forma a coragem (ou a falta dela) molda o destino desta família?

  6. Lee utiliza uma citação de Charles Dickens como epígrafe: “Casa é um nome, é uma palavra; é uma palavra forte; mais forte do que qualquer feiticeiro jamais proferiu ou que qualquer espírito respondeu...” Porque acha que esta frase foi escolhida? Como é que o conceito de "casa" e de pertença evolui ao longo das gerações?

  7. O conceito de identidade cultural e racial é fundamental. Sunja e a família esforçam-se por ser “bons coreanos”, enquanto os “bons japoneses” parecem difíceis de encontrar. O que pensa destes padrões de “bondade” atribuídos à identidade? São justos?

  8. Antes de ler este livro, tinha conhecimento das tensões entre coreanos e japoneses no início do século XX? Sente que aprendeu algo novo sobre a História ou sobre a identidade coreana?

  9. Pachinko explora como as ações de uma pessoa podem afetar gerações (como a gravidez de Sunja). Sente que a sua vida é moldada pelas decisões dos seus antepassados, ou acredita que cada geração tem total autonomia para escolher o seu caminho?

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O que podemos saber / What we can know, de Ian McEwan

 O que podemos saber / What we can know, de Ian McEwan

O autor diz o seguinte sobre o seu romance: que é ficção científica sem ciência; é sobre o que podemos saber da história e como a história de um momento é revisitada no futuro como passado.

É sobre uma busca, um crime, vingança, fama, um caso amoroso complicado, doença mental, amor pela natureza e poesia.

Ian McEwan says of his new novel:

What We Can Know by Ian McEwan - US Edition"What We Can Know is science fiction without the science. This is a novel about history, and what we can know of it, and of each other. We live our lives between the dead and the yet to be born. Of the dead we know a little, but not as much as we think. About the present, we disagree fiercely. People of the future, of course, are beyond our reckoning, but we’re troubled by what we’ll bequeath them. As they look back at us, what will our descendants think, when they contemplate the diminished world we left them? They might envy us.

"To catch at these thoughts, I’ve written a novel about a quest, a crime, revenge, fame, a tangled love affair, mental illness, love of nature and poetry, and how, through all natural and self-inflicted catastrophes, we have the knack of surviving somehow. In our times, we know more about the world than we ever did, and such knowledge will be hard to erase. Our great great grandchildren will scrape through and we won’t be around to count the cost or take the blame. My ambition in this novel was to let the past, present and future address each other across the barriers of time."


Na pa´gina web do autor em https://www.ianmcewan.com/books/whatwecanknow.html eencontra sugetsões de entrevistas com o autor e sobre o livro, bem como recensões.




Aqui ficam algumas recensões em inglês: 

Uma recensão crítica em The Guardian: https://www.theguardian.com/books/2025/sep/16/what-we-can-know-by-ian-mcewan-review-the-limits-of-liberalism em que o autor afirma que o livro é sobre ser-se ilhéu no tempo, no espaço e na vida:

 "it is about being islanded, in time, in space, in life."


Uma outra recensão crítica do New York Times está disponível em https://www.nytimes.com/2025/09/22/books/review/ian-mcewan-what-we-can-know.html

Para este recensor, Dwight Garner,  o romance é sobre biógrafos e os seus objetos de estudo, a natureza da história, cartas, diários, mensagens de correio eletrónico e outras coisas abandonadas. Mas também é sobre as talentosas mulheres de certos homens de letras e  como se sentem desapontadas. É sobre negócios, garrafas de vinho vazias, codornizes e cogumelos e IA e animais e como os melhores poetas lêem os seus poemas em voz alta.

"It’s about what biographers owe their subjects. It’s about the nature of history. It’s about letters, journals, emails and the other things we leave behind."


Em português também podemos aceder a um artigo exclusivo do Público: 

Em O que Podemos Saber, Ian McEwan viaja até 2119 para nos lançar avisos e a outro artigo exclusivo no Expresso: Ian McEwan e o mistério da coroa de sonetos: "O que Podemos Saber" é um livro de mestre


Um artigo no Diário de Notícias, 
O policial filosófico de Ian McEwan

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

 Esta Estranha e Acidentada História, de Claire Messud


Na derradeira semana de novembro iniciamos esta leitura, completamente diferente do livro anterior, de uma autora americana. Uma história familiar de três gerações da família Cassar, entre 1940 e 2010, em busca de uma pátria.

Em imagens: https://www.facebook.com/watch/?v=1126480546113330

Uma entrevista com a autora está disponível em

interview with the author in Paris


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Demon Copperhead, de Barbara Kingsolver

 Começamos o 'ano letivo' 2025-2026 com a leitura de um romance de Barbara Kingsolver, inspirado no de Dickens, David Copperfield.



Aqui encontram uma biografia de Barbara Kingsolver, que ganhou o prémio Pullitzer com este livro.

A epígrafe de Dickens vale a pena ser comentada, bem como as muitas referências cruzadas que podemos encontrar:

Com Dickens, Kingsolver partilha uma mensagem de cunho político e a preocupação com as classes mais baixas e necessitadas, contando uma história de sobrevivência individual que é, também, a denúncia do impacto dos opiácios no tecido social de uma comunidade dos Apalaches ou um olhar sobre os Serviços Sociais, muitas vezes condenados a falhar o golo de baliza aberta – isto por não haver bola para jogar. Há, porém, um humor fora de série que a coloca numa divisão diferente da de Dickens, juntando-se a essa atmosfera o vernáculo contemporâneo – “Se o leitor fica admirado por uma mãe discutir dotes físicos de namorados com um rapaz que ainda anda a aprender a não tirar macacos do nariz, é porque não conhece as profundezas da solidão”.

Nesta odisseia que envolve trabalho infantil, famílias de acolhimento ou escolas que não constariam dos rankings de mérito, Barbara Kingsolver escreve sobre a ideia e a construção de uma família, os trilhos sinuosos da amizade, a descoberta do amor, o poder transformador da arte ou o mundo próprio que a ruralidade esconde, num livro esperançoso sobre o tumulto da existência que tem tudo para ser um clássico dos tempos futuros, bem ao estilo Dickensiano. Muito bom. (de: Pedro Miguel Silva em https://deusmelivro.com/mil-folhas/demon-copperhead-barbara-kingsolver-2-4-2024/ )

 Nas palavras do júri do Women’s Prize for Fiction, é “uma exposição da América moderna, da sua crise de opiáceos e do tratamento prejudicial de comunidades carenciadas e difamadas (…) É um soco emocional triunfante e um romance que resistirá ao teste do tempo”. 

Demon Copperhead” reinventa David Copperfield, atualizando Dickens para os dias de hoje, através da história de um rapaz que tenta sobreviver entre a crise de opiáceos nos Estados Unidos e o tratamento desigual de comunidades carenciadas. (de https://comunidadeculturaearte.com/demon-copperhead-e-uma-premiada-atualizacao-de-charles-dickens-e-chega-agora-a-portugal/)

Questões para reflexão em:https://www.readinggroupguides.com/reviews/demon-copperhead/guide

quarta-feira, 25 de junho de 2025

A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata

 

A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata, de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows





Terminamos o ano letivo com uma obra epistolar sobre a formação de um clube de leitura em Guernsey durante a Segunda Guerra Mundial. É um livro sobre leitura (muitas formas de ler um livro) e sobre autores e obras da literatura inglesa, clássica, um pouco de tudo o que se pode ler.


Uma boa recensão crítica do livro também no The Gardian: https://www.theguardian.com/books/2008/aug/09/fiction4