quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

James, de Percival Everett

 James, de Percival Everett


Uma rescrita do clássico de Mark Twain, Huckleberry Finn, da perspetiva de Jim. Um livro sobre identidade, linguagem e poder.

A diferença entre o que James diz em voz alta e o que ele pensa cria uma tensão que é o motor do livro de Everett e uma profunda reescrita do livro de Mark Twain.

Linguagem: Ensinar as crianças a "falar mal" para sobreviverem é uma forma de proteção ou uma forma de auto-mutilação intelectual? Quem é que está a enganar quem neste caso?

Identidade: Alguma vez o James é ele próprio, ou ele é apenas uma coleção de máscaras que ele troca conforme a cor da pele da pessoa à frente dele? A certa altura, a máscara não acaba por se colar à pele?

Poder: James faz um esforço absurdo para conseguir um lápis. O que é mais perigoso: um homem negro que sabe gramática ou um homem negro com uma arma, naquele contexto?

Provocação: Se este livro fosse escrito por um autor branco, estaríamos a elogiar a 'audácia' ou a cair-lhe em cima por apropriação cultural? O facto de ser Percival Everett a escrever muda a nossa permissão para rir das partes mais satíricas?

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