terça-feira, 28 de abril de 2026

Uma Pequena Vida de Hanya Yanagihara

 Uma Pequena Vida de Hanya Yanagihara


Sinopse

Este é um dos mais espantosos, desafiadores, perturbadores e profundamente comoventes romances publicados nas últimas décadas: um épico sobre o amor e a amizade no século XXI, que visita alguns dos lugares mais assustadores onde a ficção já se aventurou; um livro que, desafiando explicações e todas as probabilidades, emerge do lado da luz. Quatro colegas de uma pequena universidade do Massachusetts mudam-se para Nova Iorque para começar a vida adulta. Sem dinheiro e em busca de um caminho, contam apenas com as suas ambições e com a amizade que os une. Bonito e generoso, Willem tenta vingar como ator; nascido em Brooklyn, inteligente e mordaz, por vezes cruel, JB quer afirmar-se como pintor na cena artística de Manhattan; Malcolm é um arquiteto frustrado com o seu trabalho num ateliê de renome; e Jude, brilhante, enigmático e fechado, é o centro de gravidade do grupo. Ao acompanhar os quatro amigos durante décadas, vemos como as suas relações se aprofundam e ensombram, marcadas pela dependência, pelo êxito e pelo orgulho. Porém, o seu grande desafio, compreenderão eles, é Jude, que se torna um advogado temido pelos seus pares, mas que é um homem cada vez mais destroçado, física e psicologicamente marcado por uma infância inimaginável e perseguido por um passado traumático que teme jamais conseguir ultrapassar. Numa escrita resplandecente, magnífica e assombrosa, Hanya Yanagihara compõe um hino trágico e transcendente ao amor fraternal, revela o sofrimento e o desgosto de forma ímpar, e retrata a tirania da memória e dos limites da capacidade humana para resistir. (Wook) 

Entrevista com a autora (em inglês) em https://www.google.com/search?q=comments+on+Hanya+Yanagihara+A+little+life&rlz=1C1FCXM_pt-PTPT1036PT1036&oq=comments+on+Hanya+Yanagihara+A+little+life&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigATIHCAIQIRigATIHCAMQIRigAdIBCjExNTIxajBqMTWoAgiwAgHxBTjlAuFuqLJC&sourceid=chrome&ie=UTF-8#fpstate=ive&vld=cid:61f5da16,vid:dZQqdGrazAs,st:1490

"a New York kind of book': " the collective ambition on a very tight place, on the run from families"

"a book about men and male friendship by a woman" "the effort, dynamic and closeness" "it is hard work to stay with your friends over the years"

"inspired by a circle of 12 male friends from college who do not marry or get kids just to keep up the friendship"

"Jude doesn't get better, no matter how successful" "Jude is lovable but frustrating" 

"Never really escaping memory" "an impossibility to control memory" "the tyranny of memory - some people have to make an accommodation of life". The events of the past haunt Jude as he moves beyond his childhood.

"Jude and Willelm: two people who do not fit into any conventional type of relationship"

"The book is a fairy-tale and a contemporary naturalist novel" "It is a fantasy". Every emotion is exagerated, it goes to the extreme. Excess, extravagance.

"romance between Harold and Jude and between Willelm and Jude."

"JB is the person most like me"

Cover imagePeter Hujar Orgasmic Man, 1969   - Trespassing on a very vulnerable moment.

Structure: everything is slightly filtered through Jude, except for the first-person narration by Harold.

Comentários

There are books you enjoy, books you admire, and then there are books that leave you curled up on the floor wondering whether literature should even be legal. A Little Life belongs firmly in that third category.

There’s a brilliance in how merciless it is, forcing us to stare at suffering when our instinct is to look away. Compassion, Yanagihara suggests, is not a feeling but a refusal to avert our eyes.

 (https://medium.com/@dila_elmas/a-little-life-by-hanya-yanagihara-the-most-beautifully-devastating-book-i-wish-id-never-read-2431e63d1884)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

James, de Percival Everett

 James, de Percival Everett


Uma rescrita do clássico de Mark Twain, Huckleberry Finn, da perspetiva de Jim. Um livro sobre identidade, linguagem e poder.

A diferença entre o que James diz em voz alta e o que ele pensa cria uma tensão que é o motor do livro de Everett e uma profunda reescrita do livro de Mark Twain.

Linguagem: Ensinar as crianças a "falar mal" para sobreviverem é uma forma de proteção ou uma forma de auto-mutilação intelectual? Quem é que está a enganar quem neste caso?

Identidade: Alguma vez o James é ele próprio, ou ele é apenas uma coleção de máscaras que ele troca conforme a cor da pele da pessoa à frente dele? A certa altura, a máscara não acaba por se colar à pele?

Poder: James faz um esforço absurdo para conseguir um lápis. O que é mais perigoso: um homem negro que sabe gramática ou um homem negro com uma arma, naquele contexto?

Provocação: Se este livro fosse escrito por um autor branco, estaríamos a elogiar a 'audácia' ou a cair-lhe em cima por apropriação cultural? O facto de ser Percival Everett a escrever muda a nossa permissão para rir das partes mais satíricas?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Pachinko de Min Jin Lee

 

Pachinko, de Min Jin Lee



FINALISTA DO NATIONAL BOOK AWARD NA CATEGORIA DE FICÇÃO
«Uma poderosa meditação sobre o que os imigrantes sacrificam para ter um lugar no mundo, Pachinko confirma a posição de Lee entre os melhores romancistas do mundo.» [Junot Díaz, vencedor do Prémio Pulitzer]

Em 2022, a autora recebeu o Manhae Grand Prize de Literatura da Coreia do Sul. Vive atualmente no Harlem, em Nova Iorque.

Para amantes de histórias multigeracionais e ficção histórica.

Algumas questões para guiar a nossa leitura

  1. Lee abre o livro com a frase: “A História falhou connosco, mas não importa.” Acredita que a narradora pensa genuinamente que “não importa”? Porque acha que a autora escolheu esta frase específica para abrir o romance?

  2. O que pensa do título? O jogo Pachinko só ganha relevância bem mais tarde na história. 

  3. No início do romance, Sunja é levada a sentir vergonha pela sua gravidez. De que forma a ideia de vergonha persiste ao longo de todo o livro, tanto a nível moral como na construção da identidade?

  4. Compare as personagens de Hansu e Isak

  5. Outro tema central é a coragem. Que tipos de bravura identifica em cada personagem? De que forma a coragem (ou a falta dela) molda o destino desta família?

  6. Lee utiliza uma citação de Charles Dickens como epígrafe: “Casa é um nome, é uma palavra; é uma palavra forte; mais forte do que qualquer feiticeiro jamais proferiu ou que qualquer espírito respondeu...” Porque acha que esta frase foi escolhida? Como é que o conceito de "casa" e de pertença evolui ao longo das gerações?

  7. O conceito de identidade cultural e racial é fundamental. Sunja e a família esforçam-se por ser “bons coreanos”, enquanto os “bons japoneses” parecem difíceis de encontrar. O que pensa destes padrões de “bondade” atribuídos à identidade? São justos?

  8. Antes de ler este livro, tinha conhecimento das tensões entre coreanos e japoneses no início do século XX? Sente que aprendeu algo novo sobre a História ou sobre a identidade coreana?

  9. Pachinko explora como as ações de uma pessoa podem afetar gerações (como a gravidez de Sunja). Sente que a sua vida é moldada pelas decisões dos seus antepassados, ou acredita que cada geração tem total autonomia para escolher o seu caminho?

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O que podemos saber / What we can know, de Ian McEwan

 O que podemos saber / What we can know, de Ian McEwan

O autor diz o seguinte sobre o seu romance: que é ficção científica sem ciência; é sobre o que podemos saber da história e como a história de um momento é revisitada no futuro como passado.

É sobre uma busca, um crime, vingança, fama, um caso amoroso complicado, doença mental, amor pela natureza e poesia.

Ian McEwan says of his new novel:

What We Can Know by Ian McEwan - US Edition"What We Can Know is science fiction without the science. This is a novel about history, and what we can know of it, and of each other. We live our lives between the dead and the yet to be born. Of the dead we know a little, but not as much as we think. About the present, we disagree fiercely. People of the future, of course, are beyond our reckoning, but we’re troubled by what we’ll bequeath them. As they look back at us, what will our descendants think, when they contemplate the diminished world we left them? They might envy us.

"To catch at these thoughts, I’ve written a novel about a quest, a crime, revenge, fame, a tangled love affair, mental illness, love of nature and poetry, and how, through all natural and self-inflicted catastrophes, we have the knack of surviving somehow. In our times, we know more about the world than we ever did, and such knowledge will be hard to erase. Our great great grandchildren will scrape through and we won’t be around to count the cost or take the blame. My ambition in this novel was to let the past, present and future address each other across the barriers of time."


Na pa´gina web do autor em https://www.ianmcewan.com/books/whatwecanknow.html eencontra sugetsões de entrevistas com o autor e sobre o livro, bem como recensões.




Aqui ficam algumas recensões em inglês: 

Uma recensão crítica em The Guardian: https://www.theguardian.com/books/2025/sep/16/what-we-can-know-by-ian-mcewan-review-the-limits-of-liberalism em que o autor afirma que o livro é sobre ser-se ilhéu no tempo, no espaço e na vida:

 "it is about being islanded, in time, in space, in life."


Uma outra recensão crítica do New York Times está disponível em https://www.nytimes.com/2025/09/22/books/review/ian-mcewan-what-we-can-know.html

Para este recensor, Dwight Garner,  o romance é sobre biógrafos e os seus objetos de estudo, a natureza da história, cartas, diários, mensagens de correio eletrónico e outras coisas abandonadas. Mas também é sobre as talentosas mulheres de certos homens de letras e  como se sentem desapontadas. É sobre negócios, garrafas de vinho vazias, codornizes e cogumelos e IA e animais e como os melhores poetas lêem os seus poemas em voz alta.

"It’s about what biographers owe their subjects. It’s about the nature of history. It’s about letters, journals, emails and the other things we leave behind."


Em português também podemos aceder a um artigo exclusivo do Público: 

Em O que Podemos Saber, Ian McEwan viaja até 2119 para nos lançar avisos e a outro artigo exclusivo no Expresso: Ian McEwan e o mistério da coroa de sonetos: "O que Podemos Saber" é um livro de mestre


Um artigo no Diário de Notícias, 
O policial filosófico de Ian McEwan

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

 Esta Estranha e Acidentada História, de Claire Messud


Na derradeira semana de novembro iniciamos esta leitura, completamente diferente do livro anterior, de uma autora americana. Uma história familiar de três gerações da família Cassar, entre 1940 e 2010, em busca de uma pátria.

Em imagens: https://www.facebook.com/watch/?v=1126480546113330

Uma entrevista com a autora está disponível em

interview with the author in Paris


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Demon Copperhead, de Barbara Kingsolver

 Começamos o 'ano letivo' 2025-2026 com a leitura de um romance de Barbara Kingsolver, inspirado no de Dickens, David Copperfield.



Aqui encontram uma biografia de Barbara Kingsolver, que ganhou o prémio Pullitzer com este livro.

A epígrafe de Dickens vale a pena ser comentada, bem como as muitas referências cruzadas que podemos encontrar:

Com Dickens, Kingsolver partilha uma mensagem de cunho político e a preocupação com as classes mais baixas e necessitadas, contando uma história de sobrevivência individual que é, também, a denúncia do impacto dos opiácios no tecido social de uma comunidade dos Apalaches ou um olhar sobre os Serviços Sociais, muitas vezes condenados a falhar o golo de baliza aberta – isto por não haver bola para jogar. Há, porém, um humor fora de série que a coloca numa divisão diferente da de Dickens, juntando-se a essa atmosfera o vernáculo contemporâneo – “Se o leitor fica admirado por uma mãe discutir dotes físicos de namorados com um rapaz que ainda anda a aprender a não tirar macacos do nariz, é porque não conhece as profundezas da solidão”.

Nesta odisseia que envolve trabalho infantil, famílias de acolhimento ou escolas que não constariam dos rankings de mérito, Barbara Kingsolver escreve sobre a ideia e a construção de uma família, os trilhos sinuosos da amizade, a descoberta do amor, o poder transformador da arte ou o mundo próprio que a ruralidade esconde, num livro esperançoso sobre o tumulto da existência que tem tudo para ser um clássico dos tempos futuros, bem ao estilo Dickensiano. Muito bom. (de: Pedro Miguel Silva em https://deusmelivro.com/mil-folhas/demon-copperhead-barbara-kingsolver-2-4-2024/ )

 Nas palavras do júri do Women’s Prize for Fiction, é “uma exposição da América moderna, da sua crise de opiáceos e do tratamento prejudicial de comunidades carenciadas e difamadas (…) É um soco emocional triunfante e um romance que resistirá ao teste do tempo”. 

Demon Copperhead” reinventa David Copperfield, atualizando Dickens para os dias de hoje, através da história de um rapaz que tenta sobreviver entre a crise de opiáceos nos Estados Unidos e o tratamento desigual de comunidades carenciadas. (de https://comunidadeculturaearte.com/demon-copperhead-e-uma-premiada-atualizacao-de-charles-dickens-e-chega-agora-a-portugal/)

Questões para reflexão em:https://www.readinggroupguides.com/reviews/demon-copperhead/guide

quarta-feira, 25 de junho de 2025

A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata

 

A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata, de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows





Terminamos o ano letivo com uma obra epistolar sobre a formação de um clube de leitura em Guernsey durante a Segunda Guerra Mundial. É um livro sobre leitura (muitas formas de ler um livro) e sobre autores e obras da literatura inglesa, clássica, um pouco de tudo o que se pode ler.


Uma boa recensão crítica do livro também no The Gardian: https://www.theguardian.com/books/2008/aug/09/fiction4

terça-feira, 22 de abril de 2025

 Empúsio: Romance de Terror Naturopático,  de Olga Tokarczuk


Embarcamos numa nova leitura de uma das nossas autoras favoritas. Segundo o Expresso, o Melhor livro de ficção do ano 2023

«No primeiro romance pós-Nobel, Olga Tokarczuk ergue um universo similar ao de Mann, mas caricatural. Um livro magnífico.»
José Mário Silva, Expresso

«Uma entre os poucos assinaláveis romancistas europeus a surgirem neste século.»
The Economist

Segundo a Bula Literária da Bertrand:

Indicado para: aliviar quadros agudos de sexismo, machismo, discriminação, conservadorismo, preconceito, insegurança e letargia; denunciar e combater a misoginia; ampliar vistas curtas e distorcidas; estimular a abertura aos contrastes, ao pluralismo, ao debate, ao diálogo, à mudança e à subversão;

Efeitos secundários: sensação agridoce; possível incomodo, desconforto ou desassossego; riso/gargalhadas; propensão para a introspecção e a reflexão; aceitação das imperfeições (do/a leitor/a e de outras pessoas); sensação de vingança, prazer e alívio;

Posologia: leitura mínima de dez páginas ao deitar.

O que será o significado de Empúsio? 

Empúsio: neologismo que é uma amálgama linguística de Empusa, figura mitológica grega e Simpósio

Empusa: Na mitologia grega, as Empusas eram servas da deusa Hécate, criaturas monstruosas com a capacidade de assumir a forma de mulheres bonitas para seduzir homensElas eram conhecidas por sugar o sangue de suas vítimas, sendo frequentemente consideradas os precursores das lendas sobre vampiros. Além disso, as Empusas possuíam uma perna de bronze e outra de burro, revelando sua verdadeira natureza monstruosa.

    Detalhes sobre as Empusas:
    •        Servas de Hécate:
      As Empusas eram criaturas associadas à deusa Hécate, conhecida por sua conexão com a noite, os caminhos e a magia. 
    • Formas de sedução:
    • Elas tinham a habilidade de mudar de forma, assumindo a aparência de mulheres atraentes para seduzir homens e atraí-los para suas armadilhas. 
    • Monstrosidade revelada:
    • Ao revelarem sua verdadeira forma, as Empusas apresentavam uma perna de bronze e outra de burro, revelando sua natureza monstruosa. 
    • Vampirismo:
    • Acreditava-se que as Empusas sugavam o sangue de suas vítimas, o que as tornava precursores das lendas sobre vampiros. 

    E o que será o terror naturopático?

 "Naturopático" é um adjetivo que se refere à naturopatia, uma forma de medicina alternativa que se baseia na ideia de que a natureza pode curar e que o corpo humano possui uma capacidade inata de se auto-curar. 

A naturopatia utiliza métodos naturais, como dieta, repouso, fitoterapia (uso de plantas medicinais), massagens e outras terapias, para tratar doenças e promover a saúde. A abordagem naturopática enfatiza a prevenção e o tratamento da pessoa como um todo, considerando não apenas os sintomas físicos, mas também o estilo de vida, a mente e o espírito.

     é uma expressão que geralmente se refere a um tipo de terror ou suspense que tem como tema principal a natureza, as forças sobrenaturais ou os perigos que a natureza pode representar. Este tipo de terror frequentemente explora a ideia de que a natureza pode ser uma força assustadora e implacável, e que os seres humanos podem ser vulneráveis aos seus efeitos. 

Se quiserem ler algumas boas críticas ao livro, sugiro:

https://www.theguardian.com/books/2024/oct/26/the-empusium-by-olga-tokarczuk-review-hallucinogenic-horrors

Para assinantes do Observador: https://observador.pt/2023/11/25/olga-tokarczuk-e-uma-ficcao-nebulosa-e-redentora/

Para assinantes do Público:   https://www.publico.pt/2024/01/12/culturaipsilon/critica/empusio-olga-tokarczuk-justifica-fascinio-provoca-2076158



terça-feira, 18 de março de 2025

A Senhora Tan e A Aliança de Mulheres, de Lisa See

 A Senhora Tan e A Aliança de Mulheres 

de Lisa See






Algumas questões de base:
1. A abertura deste romance começa com um prefácio que inclui a frase: "A minha prima sobressaiu no tratamento das mulheres porque partilhou as perdas e as alegrias do que significa ser mulher nesta terra." O que é ser "mulher nesta terra"?

2. De que forma a morte da Venerável Senhota molda Yunxian? Que lições da Venerável Senhora Yunxian leva consigo? Quando a Venerável Senhora está perto do fim, ela murmura: "Viver é sofrer." Como interpreta essa frase?

3.  O avô Tan e a Avó Ru têm ideias muito diferentes sobre o parto. Com quem concorda e porquê? Embora tenham passado 500 anos desde a época em que o romance se passa, acha que estas ideias contraditórias ainda persistem nos dias de hoje — não apenas em relação ao parto, mas também aos cuidados médicos para as mulheres em geral?

4.Yunxian e Melining  não deveriam sequer ter contacto uma com a outra, muito menos ter uma relação formalizada e sancionada pela Avó Ru e pela Parteira Shi. De que forma Yunxian e Meiling beneficiam desta relação? Há desvantagens para ambas? O que é a amizade entre elas?

5. Lisa See utiliza frequentemente aforismos para ajudar a iluminar uma personagem ou um ponto da trama. Um dos mais significativos neste romance é Sem lama, não há lótus. Os pés são comparados com lótus. O que interpreta sobre estes e outros aforismos?

O Mestre dos Batuques de José Eduardo Agualusa

  O Mestre dos Batuques de José Eduardo Agualusa


Uma leitura lusófona, para variar.
Vale a pena ler qual a intenção do autor, pora nortear as nossas discussões em torno do reino do  Bailundo.

"Este livro não exatamente um romance histórico – é outra coisa, quanto muito um falso romance histórico, mas também vou atrás da História para para tentar compreender e discutir o presente."


"E o Reino do Bailundo é importante porque está no coração da origem da UNITA. E a formação da UNITA é completamente diferente,  em termos culturais e conceptuais, representa de facto interesses distintos dos do MPLA. A UNITA existe por causa da realidade concreta do Reino do Bailundo e do que foi o processo colonial português naquela região."



Angola são muitos países no fundo, são muitas nações e muitas vezes essas diferentes nações conhecem-se mal. Acredito que, assim como as populações do centro do planalto central conhecem mal a história, por exemplo, do reino do Congo, provavelmente a maior parte das pessoas que vivem no norte não conhece tão bem a história das populações do sul”, disse.

A literatura é uma das soluções para fornecer visões alternativas sobre a história, visando a construção de uma nação..."

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Confiança de Hernán Díaz

 Confiança de Hernán Díaz



Uma total mudança de cenário, de escrita e de ambiente em relação ao romance anterior. 

Quase todos preferimos acreditar que somos os sujeitos ativos das nossas vitórias mas apenas os objetos passivos das nossas derrotas. Nós triunfamos, mas não somos de facto nós que falhamos — somos vencidos por forças que escapam ao nosso controlo.

Vencedor do Prémio Kirkus 2022 | Selecionado para o Prémio Booker 2022 | Um dos 10 livros do ano para The New York Times

Intrincado, engenhoso e consistentemente surpreendente… Díaz tem todo o passado literário nas pontas dos dedos.

The New York Times


Existe uma inteligência deslumbrante por detrás deste romance que nos desafia a repensar tudo o que sabemos acerca das instituições sobre as quais estão construídas as nossas nações e as narrativas pelas quais as histórias são contadas. Astuto, sofisticado e insistentemente em questionamento, Díaz escreve com segurança, determinado a roubar-nos de todas as certezas.

Do relatório do Prémio Booker


Uma interessante recensão crítica em https://americanliteraryreview.com/2022/11/10/review-trust-by-hernan-diaz/

E outra aqui: https://www.npr.org/2022/05/12/1098478246/herman-diaz-trust-novel-review 



terça-feira, 5 de novembro de 2024

O Pacto da Água de Abraham Verghese

 O Pacto da Água de Abraham Verghese


Comecemos pelas ilustrações de cada uma das 10 partes do romance publicado em 2019. Podem vê-las todas em https://www.abrahamverghese.org/the-covenant-of-water/#illustrations:


Uma primeira entrevista com o autor aqui.

Para quem se interessar por biografias de autores, tem aqui uma em inglês. E uma foto do autor:

 




terça-feira, 8 de outubro de 2024

Dom Casmurro de Machado de Assis

 Começamos as atividades do ano letivo 2024-25 com uma obra que tinha sido selecionada para o ano letivo passado: Dom Casmurro de Machado de Assis.


Publicado pela primeira vez em em 1899 pela Livraria Garnier.

Esta é presumivelmente a autobiografia de Bento de Albuquerque Santiago, que morava na rua de Matacavalos (Rio de Janeiro), com sua mãe viúva dona Glória, a prima Justina, o tio Cosme e o agregado José Dias. Na casa ao lado, vivia Capitolina (Capitu), filha de Pádua e Fortunata. 
Resumo:
Dom Casmurro conta a história de Bento Santiago (Bentinho), apelidado de Dom Casmurro por ser calado e introvertido. Em adolescente apaixona-se por Capítu, abandonando o seminário e, com ele, os desígnios traçados por sua mãe, Dona Glória, para que se tornasse padre. Casam-se e tudo corre bem, até o amor se tornar ciúme e desconfiança. É esta a grande questão que magistralmente Dom Casmurro expõe ao longo de 148 capítulos: a dúvida que paira ao longo de toda a obra sobre a possibilidade de traição de Capítu, agravada pela extraordinária semelhança do filho de ambos, Ezequiel, com o grande amigo de Bentinho, Escobar.

Dom Casmurro é, provavelmente, um dos mais importantes livros da literatura em língua portuguesa, e um dos mais traduzidos em todo o mundo

Machado de Assis é filho de pai mulato carioca e mãe açoriana. O escritor brasileiro nasceu no Rio de Janeiro em 1839 e morreu em 1908. Autodidata e ambicioso, tornou-se um clássico da língua portuguesa. Os primeiros poemas foram publicados na imprensa, seguindo-se-lhes crónicas, contos, romances e ensaios críticos. O seu primeiro livro de poesias, Crisálidas, foi publicado em 1864 e o seu primeiro romance, Ressurreição, em 1872. Iniciando a sua atividade literária em pleno Romantismo, tornou-se o autor mais importante da nova estética do Realismo e foi ainda contemporâneo do Parnasianismo e do Simbolismo. Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) corresponde à fase do Realismo psicológico, em que o autor vai mostrar a ambiguidade fundamental do ser humano, a incapacidade humana de conhecimento do real, substituindo-o, assim, por uma mistificação. Esta demonstração é muito mais subtil do que a análise dos meros mecanismos hereditários e sociais próprios do Naturalismo. Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacob (1904) e Memorial de Aires (1908), são as obras-primas deste período. Por elas perpassa uma trágica ironia a par com uma visão sem ilusões da sociedade urbana carioca.

https://www.wook.pt/livro/dom-casmurro-machado-de-assis/1461190?srsltid=AfmBOopE5R_Gg1h7ZZcQ4E5kNpPGqvkRDS0bE8VxmP0sndgRy23utKkT


A grande questão a explorar durante a leitura:

Por que razão Bentinho, protagonista do romance realista Dom Casmurro, de Machado de Assis, não conseguiu “atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência”?

segunda-feira, 13 de maio de 2024

O Quarto de Jacob de Virginia Woolf

 O Quarto de Jacob de Virginia Woolf



A história de Jacob Flanders começa quando, ainda rapazinho, o encontramos a brincar na praia. Já adulto, seguimo-lo em Cambridge, conversando sobre filosofia e literatura com os amigos. Vimo-lo depois a participar numa festa em Londres e a ler Marlowe no Museu Britânico.

Apercebemo-nos da sua presença da mesma forma que ele se apercebe da imagem de Florinda de braço dado com outro homem. A sua imagem surge-nos então em Atenas, visitando a Acrópole, na companhia de uma mulher muito bela, Jacob tem 26 anos e está-se na véspera da primeira guerra mundial.

O quarto de Jacob é a obra que marca o início da fama e maturidade de Virginia Woolf. (https://www.wook.pt/livro/o-quarto-de-jacob-virginia-woolf/67515)


Data do romance: 1922

Inovação narrativa: corrente de consciência (um novo realismo que não se baseia apenas na descrição ou mundo das aparências; pontos de vista alternados

Sobre Jacob ou sobre como as outras personagens vêem Jacob? sobre a sua reputação?


terça-feira, 9 de abril de 2024

A Morte e o Pinguim de Andrei Kurkov

 A Morte e o Pinguim, de Andrei Kurkov


Uma notícia em The Guardian sobre o autor e outra sobre o livro. a simplicidade de uma narrativa infantil sobre a corrupção política da Ucrânia e a mafia.

terça-feira, 19 de março de 2024

Os Anos, de Annie Ernaux

 Os Anos, de Annie Ernaux



Uma primeira abordagem à autora e ao livro. 

A ideia de Annie Ernaux era escrever uma autobiografia impessoal para que seus anos não desaparecessem...

Para quem tem acesso ao jornal Expresso, leia aqui. "É como se as recordações individuais emitissem “sinais específicos” que as ligam aos “marcadores de época” e à experiência colectiva. Como se fôssemos, mas não possuíssemos, a nossa circunstância. Isso explica, aliás, a epígrafe de Ortega y Gasset: “A única história que temos é a nossa, e ela não nos pertence.”


domingo, 18 de fevereiro de 2024

A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera

 A Insustentável Leveza do Ser
por Milan Kundera



A Biblioteca da Meia Noite de Matt Haig

 A Biblioteca da Meia Noite
por Matt Haig


Prémio Goodreads para Melhor Livro de Ficção
Finalista dos British Book Awards para Melhor Livro de Ficção